By Jorge Sequeira
Os pequenos poderes, sim. Desde o porteiro ao administrador. E parecia que quanto mais mesquinho fosse esse poder mais frequente era o seu exercício. Tinha visto, muitas vezes,exercerem esses pequeninos actos de "quero, posso e mando". E com o público era pior. Qualquer um tinha prazer em acordar do seu trabalho atrofiante e fazer o utente pagar as suas frustrações. Mudar mentalidades era preciso, mas ele sabia que só quando desaparecessem os da sua geração se poderia falar de mudanças. Quase se poderia dizer que tinham inscrito no ADN tal comportamento.
Não sentia nenhum prazer no trabalho que tinha. Nem sequer tinha arranjado amigos do trabalho. Conhecidos sim, mas amigos ainda eram os da infância. Poucos mas bons. Muito poucos para dizer a verdade. E já se encontravam para beber uns copos. Júlia não gostava desses encontros mensais. Regressava sempre mais bêbado do que queria e gostava, mas se não acompanhasse o ritmo dos outros era gozado e ele não queria isso.
Até porque o álcool lhe sabia cada vez melhor. Não cerveja, mas gin. Em casa, normalmente. Era capaz de ficar noite fora a beber gin tónico. Não perdia a noção do que fazia, até lhe saíam mais facilmente os textos que gostava de meter na net. Acreditava que Júlia não se apercebia. Pelo menos nunca lhe tinha dito nada. Quando se ia deitar ela já dormia ou fingia dormir.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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