quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Minha mulher esperava por mim fazia já meia hora mas só agora dei por isso. Ela tinha consulta no dentista e ficamos de nos encontrar no final do dia.
Sempre tive algum desentendimento com os horários, os minutos e até as horas não eram muito compreensivos comigo.
Quando cheguei junto dela, ouvi-a resmungar. Aguardei em silêncio que essa parte terminasse. Acusava-me de chegar sempre atrasado e de começar as frases no meio. Por minha parte, achava exagerado estar a ser atacado duas vezes, já que uma coisa tinha a ver com a outra, pensava eu. Chegava atrasado porque pensava em muitas coisas ao mesmo tempo e quando falava, a frase já ía no meio sem ter dado disso conta.
Neste momento a atitude a tomar seria a de me manter em silêncio, seria o melhor para a amaciar. O tempo para mim andava duma forma diferente do que julgavam.
Ultimamente, embirrava por eu dizer que não tinha a certeza de nada. A Júlia era pessoa de algumas certezas firmadas considerando que se tornava difícil manter uma conversa com alguém que de nada tinha a certeza.
Para evitar que caíssemos num estado de mutismo como agora vinha sendo hábito, perguntei-lhe com a voz mais doce que arranjei se queria ir ao cinema, já que me tinham dito que o filme do Medeia era bom.
Sorriu astutamente, afirmando que sim.

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