quinta-feira, 11 de março de 2010

/...

Julia tinha sonhado em tempos que Cândido a enganava, mas nunca tivera coragem para lhe contar esse sonho, mas sempre acabava por achar que não passava dum sonho, que o seu marido era demasiado tímido para ter conseguido chegar até uma mulher, se tal acontecesse, era preciso antes haver uma enorme transformação no seu Cândido. Ele era irrepreensível nesse aspecto.
Pensou sempre assim até ao dia em que o seu marido tímido lhe disse que ia assistir a um jogo em Barcelos.
Desde a infância no Minho, esta herança acompanhava-o.
Nesse dia, Júlia ficou com a pulga atrás da orelha. Agora em Barcelos?
Mas continuou a lavar a louça e o pensamento afastou-se. Ela até o considerava um pouco indefeso e triste, embora de vez em quando gostasse de dizer as suas piadas, o olhar não enganava, era uma espécie de Amália no masculino dissera-lhe uma vez uma amiga do peito.
Porquê? lembra-se de ter perguntado, ao que a amiga lhe respondeu: "para mim tem olhos de rã batida, sempre com lágrimas invisíveis e esta gente assim está sempre a pedir alguma coisa e quando pedem muito também acabam por receber".
Júlia calou-se e afastou-se pensativa.
O seu casamento não tinha passado propriamente pela fase da "glasnot", mas ia-se mantendo.
Deu por si, parada no umbral da porta, com aquele corpo que parecia feito à mão, como em tempos dizia seu pai, reflectido no espelho da consola a reflectir sobre a mulher e as suas passagens secretas.
Sempre ouviu dizer que as mulheres tinham muitos alçapões, mas começava a pensar que os homens também os tinham e ela pouco sabia do que ia em muitas ocasiões,na cabeça e sentir,do seu marido, afinal nunca o tinha visto com olhos de rã. Julgava saber tudo, mas ao pensar nisso mais a sério, verificava que cada pessoa era mais que uma pessoa e algumas eram mesmo demasiadas pessoas.
E se o Cândido, o seu marido, pai dos seus filhos, tivesse outra?
Decidiu que o melhor era não voltar a colocar estas interrogações porque não a levavam a nada e também nem sabia porque diacho lhe ocorreram, donde vinham?
Ai, é verdade o "leit motiv", tinha sido o jogo em Barcelos.

1 comentário:

  1. Olá Helena, tomei a iniciativa de passar por aqui porque tenho um pedido de desculpas para lhe apresentar e não tenho outra forma de o fazer, uma vez que desconectei a ligação que tinha consigo no FB...

    Tal como lhe dera a entender, no dia anterior a ter-me desconectado de si, havia comentarios seus com os quais eu senti um certo desconforto..estou a recordar-me, por exemplo, quando mencionei que falaria com um amigo para a poder esclarecer sobre as casas comerciais que existem actualmente na esquina da R. do Almada com a R. dos Clérigos, e a resposta da Helena, dizendo que isso não lhe interessava para nada, foi deselegante, ou pelo menos assim o senti.

    Falhei porque não consegui falar consigo de forma cordata sobre o assunto, e tive necessidade de me afastar de si, por um dia apenas, mas tive mesmo. Não me interprete mal, tenho um respeito enorme por tudo aquilo de bom que a Helena representou para mim, gosto de trocar impressões consigo e de ler os episódios que me contava, mas aconteceu algo para o qual a Helena não estava preparada e aí tenho que reconhecer que falhei.

    Tentei enviar-lhe ontem um pedido de amizade pelo FB, mas acho que já não foi possivel uma vez que de momento o FB me impede, por algumas semanas, de o fazer, devido ao grande numero de pedidos rejeitados, enfim, são lógicas que a lógica não explica.
    Por isso deixo ao seu critério e vontade o restabelecimento ou não da nossa amizade pelo FB. Quis, acima de tudo, pedir-lhe desculpa por ter falhado.

    Abraço.

    Zé alberto (a ilha do Zé)

    ResponderEliminar